segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Santo Antão

Hoja a liturgia romana comemora a festa de Santo Antão, anacoreta egípcio que é conhecido como "pai dos monges".
De início, gostaria de dizer que acho esquisito chamarmos esse santo de "Antão", visto que tanto em grego quanto em copta seu nome é Antonios. Em inglês e em francês ele é chamado respectivamente de "Antony" e "Antoine", ambos equivalentes do português "Antônio". Enfim, não sei até hoje porque o chamamos de "Antão".
Antão nasceu na segunda metade do século III e viveu até a primeira metade do séc. IV. Provavelmente tinha o copta como sua língua materna. Ainda jovem, resolveu se refugiar no deserto egípcio vivendo como anacoreta. Ele não foi o primeiro a fazer isso, mas foi com certeza o que ganhou mais notoriedade. Era visto como santo e possuidor de carismas de clarividência já por seus contemporâneos. Ele ficou especialmente famoso porque Atanásio de Alexandria escreveu sua biografia, a chamada Vida e conduta de Santo Antão. A Obra influenciou bastante a mentalidade monástica cristã, tanto a ocidental quanto a oriental.
Antão é o exemplo mais conhecido de um fenômeno que começou a se espalhar no cristianismo oriental, principalmente a partir do séc. IV e em especial no Egito: pessoas, principalmente provenientes do campo, que deixavam o convívio social e passavam a viver no deserto ou em cavernas como anacoretas. Logo surgiram também aqueles que viviam uma vida de ascese extrema, mas em grupo, submetidos a uma regra comum, os primeiros monges cenobitas, também no Egito no séc. IV.
O monasticismo, seja ele anacoreta ou cenobita, passou a ser visto como uma espécie de "novo martírio", em uma época na qual não havia mais perseguições institucionais aos cristãos (a partir do início do séc. IV). O monge, então, era visto como aquele que morria para o mundo, passando a viver isoladamente.
O monasticismo é muita vezes visto pelo senso comum como um fenômeno medieval, mas o fato é que ele surgiu na antiguidade e deve, portanto, estar inserido nos estudos e reflexões relativos ao cristianismo primitivo. É interessante notar, por exemplo, que muitos dos manuscritos antigos orientais pertenceram a bibliotecas monásticas.
A quantidade de anacoretas e monges cenobitas no Egito do séc. IV não pode ser precisada, mas com certeza era grande, a ponto de Atanásio dizer que os que seguiram o exemplo de Antão eram tantos que "o deserto tornou-se uma cidade".  

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fim de ano

Nesse fim de ano, aproveito a oportunidade para desejar a todos os frequentadores do blog um feliz Natal e um próspero 2011.
2010 foi um ano muito bom. Espero que em 2011 eu consiga entregar minha tese.

Aproveito também para postar o link de um paper que escrevi há alguns anos e que aborda de certa forma o tema da segunda aula do mini-curso que dei no Seminário do PEJ de 2010(Jesus e Maria Madalena: do Evangelho de Filipe ao Código da Vinci):


E por fim, muito obrigado a todos que participaram do Seminário do PEJ de 2010.
Nos vemos em 2011!